Yoka Kongo!

Imagem Yoka Kongo!Yoka Kongo!

Este projecto liga histórias e produções artísticas do chamado "Atlântico Negro" (Gilroy, 2002) – um espaço que vai para além da demarcação geográfica de três continentes e que contempla relações seculares de amplas trocas e negociações entre os dois lados do Atlântico, num processo nem sempre simétrico, muito relacionado com os actuais questionamentos e discussões sobre racismos, desigualdades e descolonialidades.

A expansão marítima, de que Portugal foi um dos primeiros agentes, e consequente implementação da escravidão, levaria à criando um dos sistemas mais brutais de comércio no mundo atlântico.

Hoje, os países que experimentaram este processo – na Europa, na África ou na América – vivem as consequências daquele momento histórico: desigualdades sociais, reproduções sistemáticas de um racismo estruturado.

O surgimento do movimento Black Lives Matter e a pandemia global têm exigido das sociedades democráticas (especialmente no hemisfério norte), um acerto de contas sobre raça e desigualdade que vinha sendo adiado mas que não pode mais ser silenciado; um debate do qual a comunidade artística faz parte. Estas questões e problemas complexos que vivemos nas nossas sociedades são alheios à constituição da banda – a música foi o que nos juntou. No entanto, são para nós uma preocupação maior, a nível de pensamento e de prática – até porque a Yoka Kongo! é ela própria filha do Atlântico Negro, visto os seus membros terem a origem tricontinental já referida.

É neste contexto que se enquadra a nossa proposta, assente em dois pilares que dialogam e se alimentam reciprocamente:

  1. encontros/conversas sobre a presença centro-africana em Portugal e o seu importante legado – filosofias, ontologias, e musicalidades (o nosso interesse fundamental) – para a partir destas reflexões conjuntas montarmos um repertório musical centrado na música centro-africana e contemplando o processo de cruzamento entre formas de produzir cultura que foram sendo interpoladas e interligadas ao longo dos séculos;
  2.  ensaios desse mesmo repertório. 

Ficha Artística

A banda YOKA KONGO! – “Ouve o Kongo”, em lingala – é formada por investigadores, músicos e artistas com um interesse comum na África Central e na sua presença na diáspora, focando-se principalmente nas músicas de cujo dna fazem parte sons centro-africanos.

Imigrantes da República Democrática do Congo (antigo Zaire) e de Angola – e também da Guiné-Bissau, Brasil e de outros espaços onde a influência centro-africana seja latente, como Portugal – residentes em Lisboa, fazem parte (permanente ou temporária) deste “diálogo híbrido”.

Refazendo sons tradicionais do Congo/Angola, estudando e pensando na contemporaneidade musical dessa zona bem como nas heranças deixadas pela diáspora na América e na Europa, com pesquisas musicais no tripé Cuba–Brasil–Portugal, juntaram-se artistas de origens não exclusivamente bacongas, tornando esta banda singular.

Com criações próprias mas também fazendo uma releitura de produções colectivas de domínio popular, ou interpretando alguns temas incontornáveis, YOKA KONGO! apresenta um repertório em que as musicalidades centro-africanas são centrais, atestando a sua importância na formação do actual panorama musical europeu. As formas como os circuitos culturais são integrados no pensamento sobre as cidades e sobre os espaços públicos, e o papel das imigrações centro-africanas e a sua produção artístico-cultural em Lisboa, são outros dos interesses do colectivo. 

Ana Stela Cunha, Chana Mbongo, Denzu Wonstorm,  Jorge Mendonça Oliveira, José “Zeca Canango” Carlos Lopes, Landu Matondo Yanick, Rafael Burguete, Tiago Paiva, Udi Fagundes, Udi Fagundes, Zeferino Alfredo Rif Boos e Osvaldo Pegudo.


Apoio

Fundação Calouste Gulbenkian (Fundo de Emergência Covid 19)
Câmara Municipal de Lisboa - RAAML (Regulamento de Atribuição de Apoios pelo Município de Lisboa)
Junta de Freguesia de Arroios


A partir de: 
9 de Novembro de 2020 to 13 de Fevereiro de 2021

Parcerias