Baby Blue - Projecto Ruínas

Numa audição para um filme artístico que se desconfia ser um porno, uma candidata prepara-se para o início de uma carreira de sucesso. Acompanhada pela mãe, que carrega um passado repleto de inconsistências, e uma exagerada dedicação pela filha, a candidata aquece os motores para dar a performance de uma vida. A candidata que foi adoptada por impulso retribui ao zelo da mãe com um perpétuo rancor. À espera, interpõe-se um homem que elas julgam ser o auditor, mas que é apenas um estafeta imigrante, e que se transforma no juiz das lamurias familiares.

O mote para o espectáculo parte da ideia de uma suspensão no tempo do tipo de relação entre as duas personagens, mãe e filha, ou seja, a cristalização do período que se generalizou chamar de baby blues, ou que mais normalmente se chama a depressão pós-parto. É como se a relação entre as duas se mantivesse eternamente baseada no comportamento típico desse período. Este projecto terá como inspiração o trabalho de D.W. Winnicott, que num artigo intitulado “A mãe dedicada comum”, escrito em 1966, descreveu um estado psicológico especial, pelo qual as mulheres passam no final da gestação e nas semanas que sucedem o parto. É uma condição psicológica muito especial, de sensibilidade aumentada, que Winnicott chega a comparar a uma doença, uma dissociação, um estado esquizóide, que é considerado normal durante este período, e que pode também produzir um surto psicótico: a psicose puerperal.

O objectivo é criar um universo especial, "simulacro do ventre", onde os cuidados maternos, a figura masculina, a sexualidade, irrompem como signos psicológicos para caracterizar o ambiente do espectáculo, em contraste com uma abordagem não-psicológica que também se pretende realizar. Assim, o que prevalecerá no tratamento de materiais tão psicológicos é o tom onírico e absurdo, a imprevisibilidade e a surpresa, a anulação do efeito causal na narrativa. Para tal recorreremos a uma abordagem física no trabalho de actor, procurando nas acções, no movimento e na coreografia as bases para a encenação.

O projecto assenta também num texto original de Francisco Campos e que será escrito com recurso a trabalho com os interpretes a partir de um roteiro de improvisações. Trata-se da nossa versão do método de devising com o qual temos ao longo dos anos construído os nossos espectáculos. É um processo que tem evoluído e continuará a evoluir e que tem tido várias variantes mais ou menos baseadas na improvisação ou na escrita.

 

Equipa Artística:

Encenação_Francisco campos

Interpretação_Mayla Dimas e Susana Blazer

Desenho de Luz_Nuno Patinho

Espaço Cénico_Nuno Borda de Água

Grafismo_Miguel Rocha

Figurinos_Maria dos Reis Rosa

Registo e edição_Rodolfo Pimenta

 

 


A partir de: 
13 de Março de 2018 to 13 de Abril de 2018

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